sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Como os nossos pais


Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Grande compositor Belchior! a música Como nossos pais imortalizada na voz magnifica de Elis Regina, me desperta uma certa curiosidade quanto a sua interpretação, posso até pensar que, como ela foi escrita na época em que Brasil vivia a era do conservadorismo e da intolerância a liberdade de expressão por parte do governo militar, a musica trata do conservadorismo e do comodismo do povo brasileiro,porém se levarmos para outro ângulo, a música pode ser um exemplo de consciência coletiva(Uma das teorias de Émili Durkheim).
Essa teoria pretende demonstrar que os fatos tem existência própria, não dependendo do que cada individuo pensa e faz em particular, embora cada um de nós tenha seu modo de pensar, se comportar e interpretar a vida ainda assim seguimos um padrão de conduta e pensamento, Durkheim dizia que os pais não educam os filhos, a sociedade sim os educa os pais são apenas responsáveis por transmitir os valores que já existiam antes deles e continuara existindo e que serão repassados aos filhos de seus filho. Belchior diz em um trecho da canção: nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Podemos notar que apesar da geração ser outra a essência dos ídolos é a mesma,retratam as mesmas ideologias com uma roupagem diferente, é como se nossos pensamentos, ideias, valores que adquirimos não fossem nossos pois já existiam antes de nós, e vão continuar existindo disponíveis para as próximas gerações os fatos tem vida própria. Quando o autor diz que: a sua dor é perceber que apesar de ter feito tudo que fez ele ainda era o mesmo e vivia como os seus pais, demonstra que apenas fazemos parte de um ciclo,que nosso individual não é nosso, e não tem como lutar contra os fatos, apesar de todo esforço para se destacar somos apenas parte de um todo, e nunca vamos conseguir nos desprender de tudo que nos foi imposto, "e apesar de termos feito tudo tudo tudo tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais" intrigante, não?
É INCRIVEL COMO A MÚSICA, TEM O PODER DE ASSUMIR VÁRIAS FORMAS

4 comentários:

maritssa disse...

Não entendi!

Deiviane disse...

Será mesmo que a vida consiste nesse ciclo, que um dia nossos pais pensaram como nós pensamos, e que um dia pensaremos como eles pensam?

Anônimo disse...

kidiachu?

Bruno disse...

ã?